Sem querer começar a coluna contando detalhes da minha rotina, mas começando, outro dia precisei tirar raio x da mão. Na salinha de espera havia uma garota que ia tirar raio x dos "seios da face" (também não sei o que é isso, mas fica no rosto). Bom. Ela entrou na sala comigo. Dei de cara com uma maca à minha frente. Fui até uma mesa onde eu deveria colocar a mão por cima. Passei a observar a garota que ia tirar o tal do raio x. Veio uma carinha com as instruções: ela teria que deitar de barriga para baixo, com o queixo apoiado onde estava verde e a testa onde estava vermelho. E ficar um tempinho assim, sabe. Supernormal. Não sei bem, mas acho que ela olhou se não tinha nenhuma câmera; tive uma crise de riso e, como o carinha fez uma expressão de que não tinha o dia inteiro, ela fez o que ele pediu. Meu raio x já tinha terminado. Saí da sala e fiquei pensando: se fosse comigo, morreria de vergonha. Pelo amor de Deus, tenho 14 anos. Já era para eu ter me curado do medo do ridículo!
Afinal de contas, o que é mais ridículo? Aquela posição ou... Uma pessoa que, por estar naquela posição, tem medo do ridículo? Não sei você, mas eu fico com a segunda opção. Ter medo do ridículo, muitas vezes, consegue ser mais ridículo do que a própria coisa que nos deu medo. Claro, não estou dizendo que ficar daquele jeito na frente de um estranho é divertido. Mas e daí? O cara do raio lá devia atender milhões de pessoas por dia (ok, não milhões, mas muitas!), nem vai se lembrar do rosto de ninguém e, como a vida não é uma novela, não vou descobrir nos próximos dias que ele é meu pai verdadeiro e que a gente se conheceu naquela situação. Enfim, por que tanto medo? Não, não descobri. Também não vou amar a experiência se precisar fazer esse exame. Mas fiz uma lista mapeando as situações nas quais me sinto ridícula e me dar pelo menos uma forma cientificamente comprovada de espantar esse sentimento. OK, esqueça a parte do cientificamente comprovado. Tá, vamos à lista, aqui não é casa da mãe Joana.
1- Em exames de raio x e posições estranhas em geral: o segredo é se concentrar na efemeridade do momento. Tudo é passageiro nesta vida, seu corpo logo voltará a posição normal... E você fará um pouco de exercício - olha que saudável!
2- Situações em geral com estranhos: lembre, eles são estranhos. Vocês não se verão norvamente. Esse argumento é válido para quem mora em cidade grande.
3- Roupa errada/dança errada/equívocos variados: desvie a atenção do seu erro, focando na sua excentricidade. Vim de jeans no casamento! Em velórios dou "parabéns" ou digo "tudo bom?" em vez de "meus pêsames" para descontrair o ambiente. Se não funcionar, apele para o número 4. Aliás, o número 4 pode ser usado em situações em geral.
4- situações em geral: imagine uma imagem na sua cabeça. A primeira que vier. Um coelho voando, mãos enrolando brigadeiro, uma cena de Caminho das Índias, coalas sambando. Concentre-se nessa imagem até a situação passar. Boa sorte.
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